quarta-feira, 8 de maio de 2013

3 - A evolução do peso

No primeiro e segundo ano devo ter perdido de repente 40kg.
Óbvio... não conseguia comer!!
Depois com o passar de mais 2 anos perdi mais 25kg, estagnando nos 75kg.
Um peso razoável para quem tem a minha altura (1,70), mas um peso falso.

Quando fiz a operação, disseram-me que deveria ser acompanhado por um psicólogo (devido as mudanças bruscas que o meu corpo iria sofrer) e também deveria acompanhar com ida regular ao ginásio.

Não cumpri nenhum deles, e posso afirmar que é das decisões tomadas que mais me arrependo até hoje.
Não me obrigaram a ir? Não me forçaram? Não quer ir não vá, você tem 18 anos, sabe o que deve fazer da sua vida..."
Sei??? Será que sei mesmo?
Nós somos uns miúdos com 18 anos, não temos maturidade suficiente para tomar decisões que vão afectar todo o nosso futuro. Somos vistos como adultos, mas no fundo somos umas crianças.

A falta destes 2 acompanhamentos teve consequências grandes:
- Falta de psicólogo: Um desnorteamento total de quem somos, o que somos, o que estamos aqui a fazer. Como agir com este novo ser, que sou eu.
- Falta de ginásio: Flacidez extrema e muitas operações plásticas. Das operações em principio ninguém está livre, principalmente quem perde 65kg. Mas tantas que podiam ter sido evitadas, ou até que podiam ter sido muito menos agressivas... O corpo, tal como a minha cabeça, deveria ter-se ido habituando a sua nova forma e as suas novas necessidades.

Falta de Nutricionista especializado nesta área: Ninguém me aconselhou, mas posso afirmar que é o 3º elemento essencial a quem toma uma decisão de fazer algo deste género.

Fiquei com carências enormes de certos nutrientes, e pior, perdi peso sem ter de alterar a minha alimentação.
Sem aprender a alimentar-me de uma forma saudável e equilibrada.

Mas andava feliz! Estava com um físico normal. Entrava nas lojas e tudo me servia, era olhada de uma maneira diferente pelas outras pessoas, era tratada de maneira diferente pelos desconhecidos.
Tudo coisas boas.



segunda-feira, 6 de maio de 2013

2 - A operação

Devo ter ido a todos os nutricionistas que existem em Lisboa e arredores.
Experimentamos de tudo.
Prometiam-me mundos e fundos se eu conseguisse perder peso... nem que fosse apenas 10kg.
Mas para quê? Primeiro, mal entrava na consulta todos diziam o mesmo:
"Sofia, só queremos que você perca algum peso. Não estamos a dizer para você perder muito, a sua constituição física também não o permite." Então se não o permite para que é que eu iria fazer qualquer tipo de esforço? Ainda tentava durante uns tempos e perdia 5/10 kg, mas nem se notava. Por mais que eu me esforçasse, o resultado nunca iria ser grande coisa pois parte dos resultados eu supostamente não poderia controlar, pois faziam parte da minha constituição física genética!

Cheguei aos 17 anos com 140kg.

Nessa altura apresentaram-me uma solução, fazer uma operação ao estômago.
Quase que não se faziam operações dessas cá em Portugal.
Fui a uma consulta em Coimbra, onde me explicaram o procedimento, mas que só poderia fazer a operação a partir dos 18 anos.
Era uma solução prática, rápida e eficiente. E uma luz ao fundo do túnel... com resultados óbvios!

Quando fiz 18 anos, fui fazer a operação.
Foi uma operação grande, de muitas horas. Na altura ainda se fazia com cicatriz de barriga aberta com cerca de 25cm ao alto (e não por laparoscopia como hoje em dia). Fiz um by-pass gástrico (basicamente, cortaram-me o estômago) e além disso pus uma banda a volta do pouco estômago que la ficou e um anel na entrada do estômago para regular o que vai entrando.





quinta-feira, 2 de maio de 2013

1 - Como tudo começou

Toda a vida fui uma pessoa "grande"... Nasci com 4,200 kg, sempre fui mais alta e mais "redondinha" que todas as minhas amigas, sempre calcei mais do que todas elas etc etc.
Cada vez que reflectia sobre esse assunto, todos a minha volta diziam: "é a genética" "toda a a tua família é assim" e outros comentários do género.
Com o passar do tempo, deixamo-nos de preocupar pois a "genética" é que é a culpada!!
O facto de o meu pai ser alto e com uma boa composição corporal, ou as minhas tias todas terem 1,70/1,80 de altura e bom porte físico, passou a ser a desculpa para tudo.
Não vale a pena fazer dieta, porque nunca vou perder peso... é a genética!!
Não vale a pena fazer exercício porque não vai fazer diferença nenhuma no meu corpo, é a genética!!
And so on, and so on...
E a medida que vamos crescendo, vamos ganhando mais peso, num lema de "se não podes vencer a batalha, junta-te a ela".